Mais uma coisa que li no fim de semana.
KLIMSTRA Theo A.//HALE III William W.//RAAIJMAKERS Quinten A. W.//BRANJE Susan J. T.//MEEUS Wim H. J., Identity formation in adolescence: change or stability? em Journal of Youth and Adolescence (2010) 39: 150-162.
É certo que muita abordagem pós-moderna põe em causa a pertinência da construção da identidade como tarefa típica da adolescência. Não assim estes nossos autores que se assumem claramente na linha de Erikson e de Marcia.
É um estudo longitudinal feito com adolescentes holandeses, entre os 12 e os 20 anos).
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2010/05/10
2009/05/06
Pós-adolescência
Schweitzer The postmodern life cycle. Challenges for the Church and Theology) continua a sua apresentação com a pós-adolescência. Outros chamam-lhe jovens adultos. Outros falam apenas da 3ª década de vida.
Não há acordo nos nomes. Nem na teoria.
Mas estamos de acordo que o pessoal de 20 e tal anos, na maioria dos casos, ainda não é adulto. É só recordar os sociólogos e os seus limiares: fim de estudos, entrada no mercado de trabalho, estabilização de uma relação afectiva, sair de casa dos pais, ter o 1º filho.
Também é verdade que encontramos aqueles casos de amigos que superando todos esses limiares continuam a não ser adultos. Mas não me quero meter nisso, que a coisa assim já é complicada quanto baste.
Que desafios para a Igreja e para a teologia pastoral?
Não há acordo nos nomes. Nem na teoria.
Mas estamos de acordo que o pessoal de 20 e tal anos, na maioria dos casos, ainda não é adulto. É só recordar os sociólogos e os seus limiares: fim de estudos, entrada no mercado de trabalho, estabilização de uma relação afectiva, sair de casa dos pais, ter o 1º filho.
Também é verdade que encontramos aqueles casos de amigos que superando todos esses limiares continuam a não ser adultos. Mas não me quero meter nisso, que a coisa assim já é complicada quanto baste.
Que desafios para a Igreja e para a teologia pastoral?
Que adolescência na pós-modernidade? (3)
Resumindo: é difícil chegar a conclusões.
A reflexão psicológica e sociológica sobre a adolescência é pouco sistemática.
Aliás, o Handbook of adolescent psychology (Lerner-Steinberg) aposta claramente nas mid-range theories em detrimento das grand-theories.
E tudo se complica quando metemos a pós-modernidade à mistura.
Claramente revejo-me na crítica ao positivismo racionalista que muitos autores pós-modernos fazem. Ma non troppo. Mas não acho que a realidade se dissolva em construções culturais.
Concordo que é difícil chegar a modelos absolutos, universais, value-free. Mas isso não deveria inibir a normatividade. Ou seja, acho legítimo usar práticas de análise e de transformação da realidade inspiradas em valores não universais.
Mas isto é tudo ao nível da pós-modernidade como quadro teórico de interpretação. outra coisa é ao nível das vivências.
Assim a olho, percebe-se que algo de pós-modernidade está presente nas práticas correntes. O que não encontro é estudos empíricos que o demonstrem, que o quantifiquem. Vai na volta, os pós-modernos vão dizer que esse tipo de abordagem é "demodee".
Ou seja: gostava de saber como é que as grandes intuições da pós-modernidade podem ser operacionalizadas. Como é que as práticas dos nossos adolescentes são por elas influenciadas.
A reflexão psicológica e sociológica sobre a adolescência é pouco sistemática.
Aliás, o Handbook of adolescent psychology (Lerner-Steinberg) aposta claramente nas mid-range theories em detrimento das grand-theories.
E tudo se complica quando metemos a pós-modernidade à mistura.
Claramente revejo-me na crítica ao positivismo racionalista que muitos autores pós-modernos fazem. Ma non troppo. Mas não acho que a realidade se dissolva em construções culturais.
Concordo que é difícil chegar a modelos absolutos, universais, value-free. Mas isso não deveria inibir a normatividade. Ou seja, acho legítimo usar práticas de análise e de transformação da realidade inspiradas em valores não universais.
Mas isto é tudo ao nível da pós-modernidade como quadro teórico de interpretação. outra coisa é ao nível das vivências.
Assim a olho, percebe-se que algo de pós-modernidade está presente nas práticas correntes. O que não encontro é estudos empíricos que o demonstrem, que o quantifiquem. Vai na volta, os pós-modernos vão dizer que esse tipo de abordagem é "demodee".
Ou seja: gostava de saber como é que as grandes intuições da pós-modernidade podem ser operacionalizadas. Como é que as práticas dos nossos adolescentes são por elas influenciadas.
2009/05/02
Que adolescência na pós-modernidade? (2)
Ora todo este processo aparece num contexto cada vez mais plural: nas opções, nos valores... e não há, para muitos adolescentes (resta ver até que ponto a experiência da fé o poderia ser) um centro estruturador e integrador dessa pluralidade.
À pergunta "quem sou eu?" não há uma resposta única. Há uma pluralidade de respostas e de auto-definições.
Não pode haver identidades fixas no contexto da pós-modernidade.
Ok: esta é a teoria. E assim a olho, parece explicar muitos dos fenómenos que observamos.
Mas gostava de saber até que ponto isto se verifica mesmo.
Um exemplo: esta semana li na net (e não me lembro onde) um estudo, feito em Portugal a dizer que muita da formação profissional que se fazia em idade adulta era razoavelmente inútil, já que era incapaz de mudar estruturalmente as prestações do trabalhador; de algum modo elas já estariam definidas na adolescência. A ser verdade, isto parece contrariar a tese pós-moderna.
À pergunta "quem sou eu?" não há uma resposta única. Há uma pluralidade de respostas e de auto-definições.
Não pode haver identidades fixas no contexto da pós-modernidade.
Ok: esta é a teoria. E assim a olho, parece explicar muitos dos fenómenos que observamos.
Mas gostava de saber até que ponto isto se verifica mesmo.
Um exemplo: esta semana li na net (e não me lembro onde) um estudo, feito em Portugal a dizer que muita da formação profissional que se fazia em idade adulta era razoavelmente inútil, já que era incapaz de mudar estruturalmente as prestações do trabalhador; de algum modo elas já estariam definidas na adolescência. A ser verdade, isto parece contrariar a tese pós-moderna.
Que adolescência na pós-modernidade? (1)
Estou a ler Friedrich SCHWEITZER, The postmodern life cycle. Challenges for church abd theology.
O 3º capítulo estuda a adolescência (como 2ª fase da vida, a seguir à infânica) e tenta perceber o que é isso da Adol. neste contexto pós-moderno e que desafios coloca à pastoral.
A tese, não original, é que a adolescência é uma "invenção" da modernidade. A existência de um tempo, mais ou menos prolongado, entre a infância e a idade adulta só aparece porque as condições da modernidade o possibilitavam e exigiam.
É a modernidade, com a sua exigência de um tempo alargado de formação para a vida activa que cria a adolescência.
Erikson caracteriza a adol. como um tempo de definição da identidade pessoal.
O problema é que as actuais condições sociais diferem drasticamente daquela situação em que a ideia da adol. como identidade foi definida.
Schwaitzer recorda a crítica feminista à identidade como sendo virada para descrição dos adolescentes masculinos.
Mais grave ainda parece ser a alteração das estruturas temporais da adol. A modernidade criou a adol como um tempo de transição entre a infância e a adultez. Não já criança; ainda não adulto! É esse "ainda não" que parece posto hoje em questão.
em 1º lugar porque as perspectiva laborais mudaram. A ideia de usar a adol. como um tempo de prepração profissional para o resto da vida foi posto em causa. A flexibilidade de emprego veio para ficar. Por isso a adol. e as suas opções (formativas e outras) deixa de ter aquele carácter definitivo que tinha antes.
Devido à indefinição, a adol tende a prolongar-se cada vez mais. E uma série de marcas dos adultos passam a ser reclamados pelos adol.: vida sexual activa, autonomia financeira...
De algum modo, desapareceu a pressão para evoluir em direcção à idade adulta. É possível continuar indefinidamente adol. Ora isso torna inviável o aparecimento de uma identidade definida.
O 3º capítulo estuda a adolescência (como 2ª fase da vida, a seguir à infânica) e tenta perceber o que é isso da Adol. neste contexto pós-moderno e que desafios coloca à pastoral.
A tese, não original, é que a adolescência é uma "invenção" da modernidade. A existência de um tempo, mais ou menos prolongado, entre a infância e a idade adulta só aparece porque as condições da modernidade o possibilitavam e exigiam.
É a modernidade, com a sua exigência de um tempo alargado de formação para a vida activa que cria a adolescência.
Erikson caracteriza a adol. como um tempo de definição da identidade pessoal.
O problema é que as actuais condições sociais diferem drasticamente daquela situação em que a ideia da adol. como identidade foi definida.
Schwaitzer recorda a crítica feminista à identidade como sendo virada para descrição dos adolescentes masculinos.
Mais grave ainda parece ser a alteração das estruturas temporais da adol. A modernidade criou a adol como um tempo de transição entre a infância e a adultez. Não já criança; ainda não adulto! É esse "ainda não" que parece posto hoje em questão.
em 1º lugar porque as perspectiva laborais mudaram. A ideia de usar a adol. como um tempo de prepração profissional para o resto da vida foi posto em causa. A flexibilidade de emprego veio para ficar. Por isso a adol. e as suas opções (formativas e outras) deixa de ter aquele carácter definitivo que tinha antes.
Devido à indefinição, a adol tende a prolongar-se cada vez mais. E uma série de marcas dos adultos passam a ser reclamados pelos adol.: vida sexual activa, autonomia financeira...
De algum modo, desapareceu a pressão para evoluir em direcção à idade adulta. É possível continuar indefinidamente adol. Ora isso torna inviável o aparecimento de uma identidade definida.
2009/04/30
Às voltas com a adolescência
Meio por acaso, esta semana voltei a pegar nas questões da adolescência.
Algumas descobertas e muitas perguntas.
Primeiro: não há uma teoria geral da adolescência.
Segundo: a adolescência está a mudar com essa coisa da "pós-modernidade" (que também não se sabe bem o que é nem como se há-de chamar: segunda modernidade, modernidade líquida, supra-modernidade...)
Moral da história: aqueles caramelos como eu que querem acima de tudo levar o Evangelho à malta nova, acabam sem saber para onde se virar.
Se a nossa acção de pastoral tem de ser fiel, ao mesmo tempo, à mensagem de Deus e ao destinatário... se não nos conseguimos entender sobre o destinatário... como é que o evangelizamos?
Claramente tenho-me colocado na linha de Erikson, do seu modelo de desenvolvimento e da adolescência como um tempo definido pela tarefa da identidade. Sempre me pareceu mais integrativo que as teorias mais psicanalíticas (Anna Freud).
Mas há algumas críticas.
A 1ª vem do lado da pós-modernidade: num tempo de pluralismo não é possível definir identidade nenhuma; logo a adolescência fica em coisa nenhuma.
A 2ª vem do feminismo., Dei de caras com uma referência a um livro de Carol Gilligan (in another voice) em que ela diz que a sequência proposta por Erikson (identidade >> Intimidade >> generatividade) é demadiado machista, que nas raparigas não há uma separação entre identidade e intimidade.
Ainda estou a ler o livro da Gilligan mas, assim a olho, ela é capaz de ter razão. Muitos de nós (operadores pastorais e não psis de profissão) já temos notado que o tema da intimidade na adolescência está muito mais presente do que pensávamos. Não sei como é que vocês processavam a dissonância. A mim, já há algum tempo que me andava a fazer espécie. A ver se aparece por aí algum psi que ajude a perceber isto!
Claro que, para complicar, o livro de Gilligam é de 1980; precisava de algo que pegasse no mesmo tema, numa linha mais... 2009!
Algumas descobertas e muitas perguntas.
Primeiro: não há uma teoria geral da adolescência.
Segundo: a adolescência está a mudar com essa coisa da "pós-modernidade" (que também não se sabe bem o que é nem como se há-de chamar: segunda modernidade, modernidade líquida, supra-modernidade...)
Moral da história: aqueles caramelos como eu que querem acima de tudo levar o Evangelho à malta nova, acabam sem saber para onde se virar.
Se a nossa acção de pastoral tem de ser fiel, ao mesmo tempo, à mensagem de Deus e ao destinatário... se não nos conseguimos entender sobre o destinatário... como é que o evangelizamos?
Claramente tenho-me colocado na linha de Erikson, do seu modelo de desenvolvimento e da adolescência como um tempo definido pela tarefa da identidade. Sempre me pareceu mais integrativo que as teorias mais psicanalíticas (Anna Freud).
Mas há algumas críticas.
A 1ª vem do lado da pós-modernidade: num tempo de pluralismo não é possível definir identidade nenhuma; logo a adolescência fica em coisa nenhuma.
A 2ª vem do feminismo., Dei de caras com uma referência a um livro de Carol Gilligan (in another voice) em que ela diz que a sequência proposta por Erikson (identidade >> Intimidade >> generatividade) é demadiado machista, que nas raparigas não há uma separação entre identidade e intimidade.
Parêntesis cultural: Eu já conhecia a Gilligan, mormente da crítica que ela fazia ao desenvolvimento do raciocínio moral de Kohlberg, excessivamente asssente no conceito de justiça. Mas conhecia de ver citada sem nunca ter tido oportunidade (ou vontade?) de ler o livro. Pois hoje descubro que no mesmo livro ela critica os 2 caramelos: Kohlberg e Erikson
Ainda estou a ler o livro da Gilligan mas, assim a olho, ela é capaz de ter razão. Muitos de nós (operadores pastorais e não psis de profissão) já temos notado que o tema da intimidade na adolescência está muito mais presente do que pensávamos. Não sei como é que vocês processavam a dissonância. A mim, já há algum tempo que me andava a fazer espécie. A ver se aparece por aí algum psi que ajude a perceber isto!
Claro que, para complicar, o livro de Gilligam é de 1980; precisava de algo que pegasse no mesmo tema, numa linha mais... 2009!
2009/04/29
Mais um livro de adolescentes
MONTISCHI Ferdinando - PALMONARI Augusto, Nuovi adolescenti: dalla conoscenza all'incontro.
Para quem não sabe este Palmonari é um fulano muito citado nesta área da adolescência.
O livro é muito acessível. Não é divulgativo mas está longe de ser coisa muito profunda. Li as primeiras 100 páginas do livro (metade) e folheei o resto (onde ele analisa uma série de casos e dá dicas práticas). Aquilo que me interessava era mesmo a parte teórica.
O livro é original por fazer quase uma história da psicologia da adolescência. Apresenta as grandes chaves da interpretação da adolescência: um modelo muito ligado ao impacto da puberdade que vê a Ad. como tempo de crise e o modelo de Erikson, centrado na construção da identidade.
Para quem não sabe este Palmonari é um fulano muito citado nesta área da adolescência.
O livro é muito acessível. Não é divulgativo mas está longe de ser coisa muito profunda. Li as primeiras 100 páginas do livro (metade) e folheei o resto (onde ele analisa uma série de casos e dá dicas práticas). Aquilo que me interessava era mesmo a parte teórica.
O livro é original por fazer quase uma história da psicologia da adolescência. Apresenta as grandes chaves da interpretação da adolescência: um modelo muito ligado ao impacto da puberdade que vê a Ad. como tempo de crise e o modelo de Erikson, centrado na construção da identidade.
2009/03/01
Que adolescência?
SCHWEITZER Friedrich em In search of a faith of one's own: The changing shape of adolescence as a challenge to the christian churches, Concilium 2007, 5 p 78ss defende a ideia que as nossas noções de adolescência e de ciclo evolutivo estão postas em causa pela pós-modernidade.
A ideia da adolescência como um tempo para definir a identidade não se aguenta, segundo ele, já que não existem mais que identidades adaptativas, sempre mutáveis.
Ele remete para alguma bibliografia que terei ainda de estudar.
Em consequência disso, todo o edifício pastoral e ritual que a Igreja oferecia aos adolescentes, em ordem à sua entrada no mundo dos adultos da fé, está também posta em causa.
E eu que pensava que com Erickson tínhamos tudo resolvido!
Em primeiro lugar, tenho que aprofundar a ideia de fundo do autor.
Mas há algumas hipóteses que ele não contempla.
A primeira é a de uma acção pastoral diferenciada. Ele trata os adolescentes todos como iguais. Como se não fosse possível que, qualitativa e estruturalmente, haja diferenças. Estou-me a referir, por exemplo, às várias etapas da iniciação crostã.
Outra coisa que não está clara é a relação entre a análise da situação e a nossa proposta educativa. Por uma série de factores culturais e sociais, a ideia da identidade como objetivo está posta em causa; de acordo com os factos. Mas deriva-se daí que as agências educativas devam renunciar a propor uma identidade estável?
Com isso não concordo. Embora me seja possível antecipar que não seja possível, sem mais, continuar a repetir o que se fazia antes
A ideia da adolescência como um tempo para definir a identidade não se aguenta, segundo ele, já que não existem mais que identidades adaptativas, sempre mutáveis.
Ele remete para alguma bibliografia que terei ainda de estudar.
Em consequência disso, todo o edifício pastoral e ritual que a Igreja oferecia aos adolescentes, em ordem à sua entrada no mundo dos adultos da fé, está também posta em causa.
E eu que pensava que com Erickson tínhamos tudo resolvido!
Em primeiro lugar, tenho que aprofundar a ideia de fundo do autor.
Mas há algumas hipóteses que ele não contempla.
A primeira é a de uma acção pastoral diferenciada. Ele trata os adolescentes todos como iguais. Como se não fosse possível que, qualitativa e estruturalmente, haja diferenças. Estou-me a referir, por exemplo, às várias etapas da iniciação crostã.
Outra coisa que não está clara é a relação entre a análise da situação e a nossa proposta educativa. Por uma série de factores culturais e sociais, a ideia da identidade como objetivo está posta em causa; de acordo com os factos. Mas deriva-se daí que as agências educativas devam renunciar a propor uma identidade estável?
Com isso não concordo. Embora me seja possível antecipar que não seja possível, sem mais, continuar a repetir o que se fazia antes
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