Ontem, o Instituto de teologia dogmática organizou um seminário sobre bíblia e teologia.
Veio aí uma professora da Gregoriana, espanhola, muito simpática.
A verdade é que nós, da pastoral, estávamos um bocado à nora, já que aquilo era mesmo muito especializado para a dogmática.
Gostei foi do modelo de organizar o evento.
Começou com uma conferência da senhora. Depois havia um tempo de trabalho de grupos. Não havia que fazer nada a não ser dialogar sobre impressões da conferência e conteúdos. Havia 3 grupos: um mais virado para a teologia fundamental, outro para a dogmática e outro para a teologia sacramental.
Depois deste diálogo voltámos a encontra-nos para um tempo de perguntas e diálogo.
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2009/04/30
2009/03/08
Donum veritatis 3
Na sequência do último encontro do tirocínio algumas questões merecem reflexão.
Sobre o documento Donum veritiatis
Apesar de algumas belas intuições (o teólogo como servidor eclesial, como vocação) o todo do documento tem uma orientação demasiado polémica. A sugestão que teria nascido como remate aos anteriores documentos sobre a teologia da libertação parece fazer sentido.
Pluralismo
A intervenção de ??? (Madagáscar) sobre a tendência fragmentária dá que pensar. Segundo ele, num único país, o “excesso” de adaptação às 18 tribos existentes diminui muito a comunhão. Evidentemente não posso-quero discutir a situação concreta. Mas recordei-me do episódio de Babel, da tensão entre uma uniformidade imperialista e idolátrica e uma diferenciação que quebra a comunicação e a comunhão. A isso a Igreja responde com o Pentecostes, com a experiência de comunicação-comunhão na diferença (das línguas, das culturas).
Talvez o papel do teólogo seja também servir o Espírito Santo ajudando as comunidades a comunicar-comungar com o “outro”.
E os pastores?
A pergunta do prof. Anthony dá que pensar. Em primeiro lugar porque não é comum. Mas em todas as questões suscitadas pela Donum veritatis, o papel dos bispos não é fácil.
Pastores e teólogos
Ganzevoort sugere que haja uma maior separação mental entre teólogos e pastores. Ele fala na perspectiva dos teólogos que também são pastores (= actores na praxis eclesial). Segundo ele isso teria que ver com a distinção entre discurso de 1ª e de 2ª ordem
Públicos
Ganzevoort, mais uma vez, fez-me pensar numa questão que não aparecendo no documento pode ter a sua importância. O teólogo produz discurso para públicos diferentes. E por isso produz discurso com formas e exigências diferentes. Ele distingue entre a academia, a Igreja e o mundo. No tirocínio “critiquei” o facto de muita teologia ser produzida apenas para consumo académico, inter pares. Pouca vem produzida para o povo de Deus. Temos ainda menos experiência de falar teologicamente para fora da Igreja (e falar aqui, entende-se como discurso de 2ª ordem). Ora é normal que a descontextualização do discurso teológico feito para cada um desses públicos possa provocar dificuldades.
Sobre o documento Donum veritiatis
Apesar de algumas belas intuições (o teólogo como servidor eclesial, como vocação) o todo do documento tem uma orientação demasiado polémica. A sugestão que teria nascido como remate aos anteriores documentos sobre a teologia da libertação parece fazer sentido.
Pluralismo
A intervenção de ??? (Madagáscar) sobre a tendência fragmentária dá que pensar. Segundo ele, num único país, o “excesso” de adaptação às 18 tribos existentes diminui muito a comunhão. Evidentemente não posso-quero discutir a situação concreta. Mas recordei-me do episódio de Babel, da tensão entre uma uniformidade imperialista e idolátrica e uma diferenciação que quebra a comunicação e a comunhão. A isso a Igreja responde com o Pentecostes, com a experiência de comunicação-comunhão na diferença (das línguas, das culturas).
Talvez o papel do teólogo seja também servir o Espírito Santo ajudando as comunidades a comunicar-comungar com o “outro”.
E os pastores?
A pergunta do prof. Anthony dá que pensar. Em primeiro lugar porque não é comum. Mas em todas as questões suscitadas pela Donum veritatis, o papel dos bispos não é fácil.
Pastores e teólogos
Ganzevoort sugere que haja uma maior separação mental entre teólogos e pastores. Ele fala na perspectiva dos teólogos que também são pastores (= actores na praxis eclesial). Segundo ele isso teria que ver com a distinção entre discurso de 1ª e de 2ª ordem
Públicos
Ganzevoort, mais uma vez, fez-me pensar numa questão que não aparecendo no documento pode ter a sua importância. O teólogo produz discurso para públicos diferentes. E por isso produz discurso com formas e exigências diferentes. Ele distingue entre a academia, a Igreja e o mundo. No tirocínio “critiquei” o facto de muita teologia ser produzida apenas para consumo académico, inter pares. Pouca vem produzida para o povo de Deus. Temos ainda menos experiência de falar teologicamente para fora da Igreja (e falar aqui, entende-se como discurso de 2ª ordem). Ora é normal que a descontextualização do discurso teológico feito para cada um desses públicos possa provocar dificuldades.
2009/02/07
Teologia... isso o que é?
A quem não esteja tanto por dentro pode soar estranho usar terminologia científica e académica a respeito de "teologia".
Deixa-me explicar algumas coisas. Sou um cristão católico, sacerdote, pertenço à congregação salesiana.
Não acho que haja maneira objectiva de demonstrar a validade universal da minha fé e da dos outros cristãos mas espero que quem não acredite aceite que tenho (temos) razões (ao menos subjectivas) para acreditar.
E em que é que entra a teologia?
A teologia (pelo menos numa perspectiva cristã) pretende ser um discurso, uma praxis de pensamento, que obedece às regras do método científico e que tem Deus por objecto.
1ª correcção. Na verdade, a teologia não pode ter Deus por objecto mas apenas aquilo que nós homens d'Ele conhecemos ou julgamos conhecer.
Fé e teologia não são o mesmo. Interessa-me mesmo é a fé, a possibilidade de estabelecer com o Deus revelado na vida, palavras e práticas de Jesus de Nazaré, uma relação de confiança e compromisso.
Mas porque acredito que Deus se tornou presente à humanidade e nos falou em processos e categorias humanas, tornou-se possível (e obrigatório) usar as capacidades humanas (entre as quais, a racionalidade) para dar sentido a essa fé de que falava. Não só em termos pessoais mas também para assegurar uma comunicação consistente entre aqueles que partilham a mesma fé.
Por isso é que a teologia, usando os recursos do método científico, pode ser dita também uma ciência.
Deixa-me explicar algumas coisas. Sou um cristão católico, sacerdote, pertenço à congregação salesiana.
Não acho que haja maneira objectiva de demonstrar a validade universal da minha fé e da dos outros cristãos mas espero que quem não acredite aceite que tenho (temos) razões (ao menos subjectivas) para acreditar.
E em que é que entra a teologia?
A teologia (pelo menos numa perspectiva cristã) pretende ser um discurso, uma praxis de pensamento, que obedece às regras do método científico e que tem Deus por objecto.
1ª correcção. Na verdade, a teologia não pode ter Deus por objecto mas apenas aquilo que nós homens d'Ele conhecemos ou julgamos conhecer.
Fé e teologia não são o mesmo. Interessa-me mesmo é a fé, a possibilidade de estabelecer com o Deus revelado na vida, palavras e práticas de Jesus de Nazaré, uma relação de confiança e compromisso.
Mas porque acredito que Deus se tornou presente à humanidade e nos falou em processos e categorias humanas, tornou-se possível (e obrigatório) usar as capacidades humanas (entre as quais, a racionalidade) para dar sentido a essa fé de que falava. Não só em termos pessoais mas também para assegurar uma comunicação consistente entre aqueles que partilham a mesma fé.
Por isso é que a teologia, usando os recursos do método científico, pode ser dita também uma ciência.
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