2009/10/29

pré-teste

Há tempos fiz um esboço do teste que conto aplicar para recolha de dados.
O pessoal do meu grupo tem-me ajudado mas as respostas tardam a chegar.
Já recebi 3; a coisa parece ser funcional. E já recolhi algumas sugestões de melhoria.

2009/10/19

Back home

E já estou de regresso a PT.
Muito frio e muitos livros, lá na Alemanha.
Algumas ideias interessantes.
Algum sono em atraso.
No sábado ainda pude estar um pouco no dia do animador da diocese de Braga e com umas centenas de pais da paróquia de calendário.

2009/10/12

frankfurt

Esta semana, até sábado estarei em Frankfurt, na feira do livro.
Para quem nunca lá esteve é difícil de perceber a vastidão da coisa.
Lá irei, mais este ano, ver novidades, aprender, conhecer tendências.

2009/10/08

Projectos

Isto dos "projectos" tornou-se na Igreja (e não só) uma palavra de moda. Mal entendida, mal usada, deixada cair no esquecimento prático...
Há muita confusão entre projecto, plano, calendário. Aqui não me quero deter nas distinções de tipo mais técnico e operativo. Quero antes pensar sobre os aspectos "filosóficos" e atitudinais que são pré-requisito para um projecto.
Projecto tem que ver com futuro. Com "tender para".
O projecto pretende ser uma resposta à pergunta "onde queremos estar lá mais à frente?"
Basicamente, há três tipos possíveis de resposta ao futuro.
1. O futuro utópico. O futuro é pensado como perfeição, como realização quase imediata de todos os sonhos. Exemplo: Todos vamos ser felizes, o Sporting vai ganhar 5 campeonatos seguidos, os políticos vão começar a ser todos verdadeiros, honestos e educados.
Este tipo de visão do futuro tem, ao mesmo tempo, algo de alienado e de perigoso. Alienado porque não realista. Perigoso porque não admite discussão. A "perfeição" não se discute. Mas como cada um de nós pode ter visões diferentes do futuro perfeito, o conflito é inevitável.
Alguém me perguntará se a esperança cristã ão é necessariamente um futuro deste tipo. Direi que não. A esperança cristã é escatológica, tem que ver com as coisas últimas e definitivas. É não utópica porque se funda na realidade de Deus. Não é projecção dos desejos pessoais: está já presente na história, ainda que sob forma germinal. A esperança cristã leva a uma acção de tipo projectual que se encaminha, consciente de todas as fragilidades, para a escatologia. Não é utópica.
Entre nós, só o pessoal muito ingénuo e maçarico é que alinha com esta visão do futuro.
2. Mais do mesmo. Pensa o futuro como uma variação em quantidade do presente. O que fazemos (na Igreja, na educação, na família, na...) é sempre uma continuação do que temos feito. não há verdadeira inovação. Não há pensamento crítico sobre os pressupostos do presente. Não há coragem nem vontade de pensar um futuro qualitativamente diferente do presente. Não há capacidade de abandonar as perguntas de sempre e procurar outras mais relevantes.
Normalmente, esta atitude liga-se à consciência burocrática. A consciência burocrática é típica dos sistemas (pessoais, sociais... exemplos: grupo de jovens, centros de catequese, paróquias...) que se entendem fechados, como fins em si mesmos. A consciência burocrática, o "projecto mais do mesmo", não pensa que haja realidade para fora de si mesma. Não há desafios, não há interesses para fora de si mesmo. É egocêntrica. É ateia (na medida em que rejeita um Deus que sempre convida ao êxodo).
Esta atitude defende-se bem fazendo apelo ao realismo, à segurança das práticas consolidadas.
3. Projecto de futuro. Esta terceira atitude empenha-se na construção de um futuro que seja qualitativamente diferente do presente e das condições actuais. Mas, ao contrário da tendência utópica, não se actua por mero desejo. Está consciente das condições e constrições actuais. E em interacção com elas, define um percurso que permite construir uma realidade outra.

OK. Depois da minha apresentação sucinta já deve estar claro quem é que são os "bons". Isto pode parecer bastante teórico. Mas estas pré-compreensões são bastante importantes. Dá-me a sensação que o fracasso em implementar uma verdadeira mentalidade de projecto em tantas realidades eclesiais tem que ver com isto.
E parece-me ainda que são necessários três vectores para podermos aderir a um verdadeiro projecto de futuro.
a) Abertura horizontal. Só há projecto quando os participantes e as estruturas se decidem a uma abertura horizontal. Quando um catequista fala com outro. Quando uma paróquia fala com outra. Quando a diocese fala (para cima e para baixo) com as paróquias. Quando há atenção e disponibilidade interior para escutar os desafios que nos chegam da economia, da ecologia, da sociedade, das tendências culturais. Esta abertura não é resignação, nem acomodação acrítica. É diálogo. Com tensão bipolar. Com procura activa das "razões" que assistem àqueles que estão "de fora" ou com quem não concordamos. Isto que estou a descrever coincide, em muitos aspectos, com aquilo a que nós cristãos chamamos "comunhão".
b) Abertura temporal. Só há projecto quando temos capacidade de nos pensarmos no eixo temporal. O que temos feito? Que resultados tem produzido? Esta atitude permite ao mesmo tempo relativizar o que é relativo e apostar naquilo que é essencial. Todo o tema da avaliação aparece aqui. Todo o tema da identidade aparece aqui. A nossa identidade não se esgota nas concretizações. O esforço de fidelidade dinâmica exige esta abertura temporal. A avaliação é a capacidade de verificar a qualidade de longo prazo do que temos vindo a fazer. Exemplo: avaliar não é verificar se a festa da 1ª comunhão correu bem (não houve pais aos gritos, nem fotógrafos com os pés em cima do altar); é antes verificar se as crianças adquirem consistentemente uma prática eucarística.
c) Abertura vertical. É uma clara abertura ao divino. Não há projecto que se aguente sem a busca humilde de diálogo com o Deus que Se revela. Que nos faz ver as coisas de forma diferente. Que nos fortalece. Que nos critica e convida à mudança.

2009/10/07

Falar claro?

Há, em muitos de nós que somos Igreja, uma tentação grave de não falar claro. De meter muita maquilhagem nas palavras. Porque elas podem ofender alguém ou o establishment. Porque achamos que os nossos interlocutores são uns imbecis, incapazes de pensar pela própria cabeça, incapazes de aceitarem ou rejeitarem com liberdade e responsabilidade aquilo que dizemos.
Um exemplo recente:
No dia 5, na Forma(c)ção mandei umas "bocas" a respeito dos novos catecismos. É público e notório que estou cada vez mais crítico em relação aos méritos destes novos catecismos. Quer em termos do produto em si, do processo que os gerou e dos resultados que deveriam produzir.
É certo que ainda não tive a coragem (ou a paciência) de fazer aquilo que fiz na minha tese de mestrado, que seria analisar sistematicamente todos os textos, de fio a pavio, e provar por "a+b" as razões da minha (e não só) crítica.
Mas os "erros" catequéticos e as limitações estruturais de que padecem são facilmente judicáveis.
Enquanto escrevo isso num blog ou na revista Catequistas, o feedback não é muito. Ou porque as pessoas não lêm ou porque não sabem/querem responder ou contestar a minha opinião e a minha avaliação.
Quando digo aquilo em público há sempre mais feedback. A maioria das pessoas acaba por concordar comigo. E alguns discordarão. O que é normal.
E depois há aquele pessoal que me diz: "Tu até tens razão. Mas é preciso ter cuidado. As pessoas podem interpretar mal"...
E é aqui que eu acho interessante pensar sobre o tipo de praxis comunicativa que queremos em Igreja. Claramente sou favorável a uma comunicação o mais clara possível. Onde todas as cartas estejam em cima da mesa. Para que todos tenham o máximo de informação para confrontar, para processar, para ir elaborando as suas opiniões.
Continuando com o exemplo: no final da minha intervenção um jovem seminarista, encheu-se de coragem e disse aquilo que provavelmente muita gente pensa: "Se os catecismos são tão desinteressantes [tao cheios de palha; expressão dele], não será preferível abdicar deles e irmos dando uns temas e umas coisas mais interessantes?"
A minha resposta foi um "NÃO" CLARÍSSIMO. E justifiquei as minhas razões.
E é por isto que eu prefiro uma praxis comunicativa que favorece a clareza. Imagina que eu não digo nada; este tipo de ideias de trocar a sistematicidade dos catecismos por umas coisas avulsas e à vontade do freguês, continua por aí, sem nunca ter oportunidade de aparecer à luz do dia, de forma larvar, sem se confrontar com críticas, sem possibilidade de evoluir.
Claro que o facto de alguém fazer críticas mina a "autoridade" seja do que for. Mas pensem bem se queremos voltar a uma postura do "come e cala-te".
Aliás, ao limite, esta é uma das razões porque sou mais crítico dos catecismos actuais. Não apenas por serem "mauzinhos" em muitos aspectos mas por serem "perigosos". Explico. As suas linitações de redacção, pedagógicas, gráficas, a confusão entre conteúdos e objectivos, as imensas confusões na hierarquia de objectivos, a sua "imensidão" palavrosa, leva uma boa parte dos catequistas a considerá-los pouco operacionais, pouco aplicáveis. Mas a maneira confusa como estão feitos empurra o catequista "médio" a tentar outras coisas; não somente ao nível da metodologia mas também ao nível dos conteúdos (porque, precisasmente, os guias não separam bem as coisas). O que é que vaia acontecer? O catequista sente-se forçado a escolher entre tentar implementar o que está proposto nos guias ipsis verbis (o que a maioria considera inviável) ou a tentar inventar. Mas se opta por inventar, a estrutura dos guias não os ajuda a perceber a diferença entre o que é nuclear e o que á relativo e acessório. E do mesmo modo que eu digo que é inútil discutir a etimologia grega da palavra "carisma" outro catequista vai-se sentir à vontade para considerar "inútil"... a ressurreição de Jesus, ou a Eucaristia.
Que alternativa? Calar-me e fazer figas para quem tudo, magicamente se componha? Ou tentar o "caminho longo" da formação, do diálogo, do estimular à mudança e à construção de uma alternativa qualitativamente superior nas práticas catequéticas e eclesiais de todos nós?